A democracia sofreu duro golpe com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que cassou a exigência de diploma para o ofício do Jornalismo. A Justiça, mais uma vez alinhada ao poder, optou por satisfazê-lo, em vez de satisfazer a maioria da população. A quem interessa que o mercado da comunicação tenha profissionais menos qualificados e pior remunerados? Somente a quem prefere ver o povo tutelado e privado de qualquer inflexão mais crítica. E neste balaio, infelizmente, também estão os grandes conglomerados de comunicação. Os patrões, como era de se esperar, aplaudiram a decisão. Comemoraram, foram tomar champagne com caviar, no café da manhã, em Paris.
Afinal, esse é o papel da imprensa: trazer à tona assuntos que, muitas vezes, ferem interesses corporativos para dar ao futuro do país uma perspectiva melhor. E é isso que querem evitar com a decisão da última quarta-feira. Querem jornalistas burros, pouco qualificados, que possam ser facilmente manipulados. Querem somente amebas à frente do conteúdo informativo entregue ao povo. Assim, poderão perpetuar o poder, mantendo-nos tutelados, sob as rédea dos barões da política nacional.
A decisão, na verdade, foi um "cala boba". A Justiça detesta a imprensa. Tem medo dela, teme a perda de regalias e privilégios, assim como o abalo de suas relações promiscuas com o poder. Por isso cassaram nosso diploma. Por isso nos humilharam, passaram por cima de nossa dignidade. Mais uma vez, foi a postura de uma Justiça que condena ladrões de galinha para proteger quem tem colarinho branco.
A alegação de nossos digníssimos magistrado não poderia ser mais esdrúxula: liberdade de expressão. Ora, senhores, jornalistas não se expressam, são apenas um canal entre as fontes e o público. Quem se expressa é quem dá entrevista para o jornalista. É a opinião da fonte que vai ao ar, nossa missão é simplesmente dar voz a quem quer se expressar. Por isso, dizer que permitir a qualquer cidadão exercer o ofício é garantir a liberdade de expressão, é mera balela.
Outro erro: a partir de agora, então, ofícios ligados às ciências humanas, como filosofia, história, sociologia ou letras, por exemplo, também não precisam mais de diploma. Afinal, se não há necessidade de conhecimento específico no jornalismo, como alegaram, também não há nestas faculdades. E até o cargo de juiz quem sabe agora possa ser ocupado por um engenheiro ou arquiteto, que tal? Não vejo na formação de um advogado nada assim tão diferente daquela utilizada no preparo de um jornalista. Eles decoram leis, nós teorias, princípios éticos, mecanismos de escrita.
Surraram a democracia no Brasil, mais uma vez. E justamente quem deveria garanti-la, incentivá-la, protegê-la. Triste, muito triste, o Brasil saiu perdendo.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
Os porquês do esgoto
Caros e estimados leitores, quero fazer aqui um sincero pedido de esculpas por ter-me ausentado tanto tempo do convívio que mantemos neste espaço. Mas minha vida tem estado bem corrida, com o trabalho de editor na Folha de Blumenau e os despachos que envolvem a criação de um portal na internet. Já na fase de programação, ele deve entrar no ar, ou melhor, na web, entre os dias 25/6 e 10/7.
Antecipo que causará ótima impressão, pelo nível dos parceiros que encontrei na empreitada. Gente boa do mercado de comunicação.
Justifico assim, então, a escassez de postagens aqui no blog. Assim que tudo estiver resolvido, nossos encontros voltarão a ser tão frequentes quanto antes. Mas em novo endereço, que informarei em momento oportuno.
De volta à Análise
Agora já de volta ao exercício despretensioso de comentar fatos, vou falar sobre o projeto que prevê concessão do sistema de coleta e tratamento do esgoto em Blumenau. Causa-me inquietação a velocidade com que a proposta ganhou corpo, simultaneamente à pouquíssima visibilidade que ganhou na sociedade.
É preciso esclarecer melhor essa história. A ânsia de resolver um problema secular a toque de caixa causa certo espanto. O modelo de concessão à iniciativa privada envolve licitações graúdas, transferências elevadas de recursos, negociações pra lá de melindrosas. E quem conhece o Brasil sabe como costumam ser feitos esses negócios, nem sempre de forma tão ilibada assim.
Por isso precisamos entender melhor o modelo proposto, saber quanto vamos pagar, como vai funcionar. Penso que algo desse nível não pode vir de cima para baixo, tem que ser o contrário.
Antecipo que causará ótima impressão, pelo nível dos parceiros que encontrei na empreitada. Gente boa do mercado de comunicação.
Justifico assim, então, a escassez de postagens aqui no blog. Assim que tudo estiver resolvido, nossos encontros voltarão a ser tão frequentes quanto antes. Mas em novo endereço, que informarei em momento oportuno.
De volta à Análise
Agora já de volta ao exercício despretensioso de comentar fatos, vou falar sobre o projeto que prevê concessão do sistema de coleta e tratamento do esgoto em Blumenau. Causa-me inquietação a velocidade com que a proposta ganhou corpo, simultaneamente à pouquíssima visibilidade que ganhou na sociedade.
É preciso esclarecer melhor essa história. A ânsia de resolver um problema secular a toque de caixa causa certo espanto. O modelo de concessão à iniciativa privada envolve licitações graúdas, transferências elevadas de recursos, negociações pra lá de melindrosas. E quem conhece o Brasil sabe como costumam ser feitos esses negócios, nem sempre de forma tão ilibada assim.
Por isso precisamos entender melhor o modelo proposto, saber quanto vamos pagar, como vai funcionar. Penso que algo desse nível não pode vir de cima para baixo, tem que ser o contrário.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Por quê?!
Certas coisa são mesmo difíceis de entender. A Câmara de Vereadores de Blumenau, que, a meu ver, errou em não cassar o vereador João José Marçal (PP), continua conduzindo o episódio de maneira equivocada. A demissão dos assessores petistas, que foi extremamente autoritária, já deveria ter sido revista há muito tempo. O caso estaria encerrado e todo mundo seguindo a vida normalmente.
Mas não, a direção da Casa insiste em mostrar a mão-de-ferro. Esquecendo que erro, de fato, quem cometeu foi o vereador ao exigir o descumprimento da lei. Até concordaria com a exoneração, caso o vereador também tivesse sido cassado. Aí teríamos mesmo peso e medida. Mas assim não dá pra engolir.
Mas não, a direção da Casa insiste em mostrar a mão-de-ferro. Esquecendo que erro, de fato, quem cometeu foi o vereador ao exigir o descumprimento da lei. Até concordaria com a exoneração, caso o vereador também tivesse sido cassado. Aí teríamos mesmo peso e medida. Mas assim não dá pra engolir.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Cuidado
Peraí: dar espaço e visibilidade para as justificativas do vereador João José Marçal (PP), cujo argumento agora é de "que estava defendendo o povo que representa" no episódio da Guarda de Trânsito eu acho perigoso, pra não dizer irresponsável até. Não quero bancar o Observatório da Imprensa, mas é bom ter cuidado, senão daqui a pouco a comunidade acredita mesmo nisso.
Marçal também está deitando e rolando com a liminar que "legalizou" a tal Van, mas sempre é bom lembrar que, no momento em que ele foi flagrado fazendo a defesa do veículo e seu proprietário, eles estavam irregulares.
A verdade é uma só: o vereador representa todos os blumenauenses, mas, naquele momento, reivindicou a prerrogativa de parlamentar para defender apenas um. Vamos com calma, vereador e colegas da imprensa. Menos pessoal, menos. Palanque só em época de eleição, e tribuna deve ser exclusividade do Parlamento.
Marçal também está deitando e rolando com a liminar que "legalizou" a tal Van, mas sempre é bom lembrar que, no momento em que ele foi flagrado fazendo a defesa do veículo e seu proprietário, eles estavam irregulares.
A verdade é uma só: o vereador representa todos os blumenauenses, mas, naquele momento, reivindicou a prerrogativa de parlamentar para defender apenas um. Vamos com calma, vereador e colegas da imprensa. Menos pessoal, menos. Palanque só em época de eleição, e tribuna deve ser exclusividade do Parlamento.
PP: o Coringa de 2010
Os botões de minha camisa, vizinhos eternos e inseparáveis, puseram-se a tagarelar neste fim de semana, derramando muita prosa sobre a trama que envolveu a absolvição do governador Luiz Henrique pelo TSE .
Naquela tagarelagem, um dos botões questionou: será que não estão superdimensionando o papel do vice-governador Leonel Pavan no desfecho do episódio? Tudo bem, é claro que a contratação do advogado Fernando Neves, sumidade que traz no currículo casos como o que envolveu a renúncia do ex-presidente Fernando Collor, foi decisiva e teria partido do ninho tucano. Mas o PMDB também tem cobras criadíssimas em Brasília. Gente muitíssimo capaz de encaminhar lobbies, recados e ponderações no centro nevrálgico da política nacional.
E mais: gente ligada ao governo e, portanto, ao poder, do qual hoje o PSDB, em nível nacional, surfa apenas a marola da oposição. Além do mais, nada impediria que Neves já tivesse sido contratado pelo próprio LHS, afinal já atuou no processo de outros quatro governadores. Aliás, a entrada de Pavan no processo pode bem ter sido estratégia para corrigir tal erro.
Enfim, será difícil saber ao certo de onde exatamente partiu a jogada que virou o placar e garantiu a vitória de Luiz Henrique aos 48 do segundo tempo. Mas vale lembrar que ele ganhou cinco eleições seguidas _ uma para deputado federal, duas para prefeito da maior cidade do Estado e duas para o governo de Santa Catarina - e foi Ministro da Ciência e Tecnologia no governo de José Sarney. Cacife o peemedebista tem, até mais do que Pavan.
Certo é que o resultado reforça ainda mais o latente racha que se desenha na Tríplice Aliança para o ano que vem. O tratamento que estão dando a Pavan, se fortalecê-lo, também pode defini-lo no embate. O DEM de Raimundo Colombo dificilmente abandona a disputa, enquanto o PMDB de Pinho Moreira e Dario Berger teria que entregar dedos e anéis para deixar a raia.
Num cenário em que os três lancem candidato - embora pouco provável -, o PT, acredito, fecharia com o PMDB. Até porque o comportamento das lideranças petistas em relação à absolvição do governador denuncia esta possibilidade. Todos no partido, embora oficialmente sejam oposição em nível estadual, pouparam LHS de ataques. Será que a dobradinha Berger ou Pinho & Ideli estaria pintando?
DEM e PSDB, caso Colombo ou Pavan se distanciem um do outro nas pesquisas, podem muito bem juntar forças e afastarem-se do PMDB.
Enquanto isso, o Coringa de 2010 deverá ser o Partido Progressista (PP). A sigla de Esperidião Amin, que deve concorrer ao Senado, pode fechar tanto com os petistas, com quem já caminharam juntos na eleição de 2006, quanto com tucanos e democratas, de quem são aliados históricos em Santa Catarina. E serão um Coringa disputadíssimo, já que o patrimônio eleitoral de Amin pode muito bem decidir uma eleição. As discrepâncias com o PMDB são fortes, mas, como na política o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã, seria incrível imaginar PMDB, PP e PT juntos numa coligação. Lembrando que em vários municípios do estado, PMDB e PP já governam juntos. Seria uma nova Tríplice, em mais uma jogada incrível do astuto articulador que é Luiz Henrique da Silveira.
Naquela tagarelagem, um dos botões questionou: será que não estão superdimensionando o papel do vice-governador Leonel Pavan no desfecho do episódio? Tudo bem, é claro que a contratação do advogado Fernando Neves, sumidade que traz no currículo casos como o que envolveu a renúncia do ex-presidente Fernando Collor, foi decisiva e teria partido do ninho tucano. Mas o PMDB também tem cobras criadíssimas em Brasília. Gente muitíssimo capaz de encaminhar lobbies, recados e ponderações no centro nevrálgico da política nacional.
E mais: gente ligada ao governo e, portanto, ao poder, do qual hoje o PSDB, em nível nacional, surfa apenas a marola da oposição. Além do mais, nada impediria que Neves já tivesse sido contratado pelo próprio LHS, afinal já atuou no processo de outros quatro governadores. Aliás, a entrada de Pavan no processo pode bem ter sido estratégia para corrigir tal erro.
Enfim, será difícil saber ao certo de onde exatamente partiu a jogada que virou o placar e garantiu a vitória de Luiz Henrique aos 48 do segundo tempo. Mas vale lembrar que ele ganhou cinco eleições seguidas _ uma para deputado federal, duas para prefeito da maior cidade do Estado e duas para o governo de Santa Catarina - e foi Ministro da Ciência e Tecnologia no governo de José Sarney. Cacife o peemedebista tem, até mais do que Pavan.
Certo é que o resultado reforça ainda mais o latente racha que se desenha na Tríplice Aliança para o ano que vem. O tratamento que estão dando a Pavan, se fortalecê-lo, também pode defini-lo no embate. O DEM de Raimundo Colombo dificilmente abandona a disputa, enquanto o PMDB de Pinho Moreira e Dario Berger teria que entregar dedos e anéis para deixar a raia.
Num cenário em que os três lancem candidato - embora pouco provável -, o PT, acredito, fecharia com o PMDB. Até porque o comportamento das lideranças petistas em relação à absolvição do governador denuncia esta possibilidade. Todos no partido, embora oficialmente sejam oposição em nível estadual, pouparam LHS de ataques. Será que a dobradinha Berger ou Pinho & Ideli estaria pintando?
DEM e PSDB, caso Colombo ou Pavan se distanciem um do outro nas pesquisas, podem muito bem juntar forças e afastarem-se do PMDB.
Enquanto isso, o Coringa de 2010 deverá ser o Partido Progressista (PP). A sigla de Esperidião Amin, que deve concorrer ao Senado, pode fechar tanto com os petistas, com quem já caminharam juntos na eleição de 2006, quanto com tucanos e democratas, de quem são aliados históricos em Santa Catarina. E serão um Coringa disputadíssimo, já que o patrimônio eleitoral de Amin pode muito bem decidir uma eleição. As discrepâncias com o PMDB são fortes, mas, como na política o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã, seria incrível imaginar PMDB, PP e PT juntos numa coligação. Lembrando que em vários municípios do estado, PMDB e PP já governam juntos. Seria uma nova Tríplice, em mais uma jogada incrível do astuto articulador que é Luiz Henrique da Silveira.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Poderia ser piada
Parece até piada, mas não é. Por decisão judicial da Comarca de Blumenau, a dita cuja VAN que fazia transporte irregular de alunos voltou a circular em território blumenauense. Formosa, garbosa e, o mais incrível: agora regular! Amparada por liminar, ganhou o direito de rodar faceira pelas ruas da cidade.
Aliás, deve estar tão faceira quanto o vereador João José Marçal. De repente ele até está dando umas voltas com ela, de preferência ao volante. Imagine a cena: o vereador Marçal dando tchauzinho da janela da Van, com a outra mão no volante, para seus eleitores.
Pois é, tem coisa que eu não entendo. Acho que vou largar o jornalismo e, se meu pai pagar mais uma faculdade pra mim, vou fazer Direito. Só pra entender as leis e a Justiça. Afinal, a sociedade perdeu e ainda perde o um tempão danado com essa história do Caso Marçal pra Tia Justa, de repente, chegar e dizer que tava tudo certo. É pra acabar! E a promotoria da Defesa da Moralidade Administrativa, não se pronuncia, não entra no caso? A OAB, de repente, não poderia encaminhar denúncia ao MP?
Aliás, deve estar tão faceira quanto o vereador João José Marçal. De repente ele até está dando umas voltas com ela, de preferência ao volante. Imagine a cena: o vereador Marçal dando tchauzinho da janela da Van, com a outra mão no volante, para seus eleitores.
Pois é, tem coisa que eu não entendo. Acho que vou largar o jornalismo e, se meu pai pagar mais uma faculdade pra mim, vou fazer Direito. Só pra entender as leis e a Justiça. Afinal, a sociedade perdeu e ainda perde o um tempão danado com essa história do Caso Marçal pra Tia Justa, de repente, chegar e dizer que tava tudo certo. É pra acabar! E a promotoria da Defesa da Moralidade Administrativa, não se pronuncia, não entra no caso? A OAB, de repente, não poderia encaminhar denúncia ao MP?
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