quinta-feira, 30 de abril de 2009

A cassação do Marçal

E foi o Tião Aragão que ontem, lá no futebol, apontou um erro cometido por mim na nota Marçal X Honra do Legislativo (leia mais abaixo). O vereador, que tentou burlar a lei de trânsito coagindo agentes do Seterb, deve ser cassado, e não caçado, como escrevi. Caçar, com cedilha, tem sentido de caça a animais, com o empunhamento, ou não, de armas. Já cassar, com dois "s", significa a retirada de um mandato eletivo.
Mas não tardou para que, enquanto o Tião me alertava da diferença, um sujeito que tomava banho no vestiário - e ouvia nossa conversa - largasse esta:
- Político tem que ser caçado com "c cedilha" mesmo.
Juro que é verdade, foi o cara mesmo que falou. Meu alter ego, infelizmente, não seria capaz de lapidar tão bela pérola. De qualquer forma, vale a correção: Marçal deve ser cassado, e não caçado.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A reação blumenauense

Confesso que de início imaginei tratar-se apenas de um delírio do Fabrício Wolff, que passava o dia inteiro na cama por causa de uma fratura na perna esquerda. Pouco antes de ele aparecer com a ideia, escrevi o artigo Deboche (19/3, veja arquivo), aqui no Blog, também acreditando que não alcançaria nenhuma projeção mais significativa. Mas, pelo jeito, tanto a proposta "maluca" do Fabrício quanto as minhas ferrolhadas no Poder Central já nasciam fadadas ao sucesso.
Nesta semana, A campanha Reage Blumenau chegou ao cume da montanha. Em Brasília, o canetaço que libera recursos para a reconstrução da cidade enfim aconteceu. Aqui, a vereadora Norma Dickmann (foto) propôs, através de um requerimento, congratulações aos blogueiros que participaram do movimento: Fabrício Wolff, Alexandre Gonçalves, Márcio Santos e o missivista que aqui a vos escreve neste momento. Há duas semanas, já havíamos recebido a visita do deputato federal José Carlos Vieira, que comprou a briga junto com a gente e organizou uma audiência pública no Congresso para tratar do assunto. Convidou-nos para levar um relato da situação aos parlamentares, mas nossas limitações físicas (a enfermidade do Wolff) e orçamentarias impediram a empreitada.
A campanha Reage Blumenau consistiu em uma cadeia de e-mails enviados por nós e por nossos leitores a deputados, senadores e demais representantes da região em Brasília. O textos, criados pelo Fabrício, eram padrão e cobravam ações urgentes para reconstruir Blumenau e o Vale.
A comemoração, porém, só faremos quando obras como a Via Expressa e a galeria fluvial do Sesi, entre outras, estiveram prontas. Até lá a cobrança continua. Afinal, sabe como são as coisas na esfera pública: entre o anúncio da obra e sua entrega, há um longo, longuíssimo caminho. Muitas vezes, inclusive, são caminhos sem fim. Espero que agora não seja este o caso.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Cutucadas


Cutucada 1
Será que a prefeitura precisava gastar tanto com propaganda neste momento? Com tanta demanda por recursos para a reconstrução da cidade, bem que o governo poderia economizar um pouco com publicidade. As inserções televisivas são intensas, mostrando aquelas que teriam sido obras do pós-novembro. Se tá faltando dinheiro para as obras mais importantes, que tal segurar um pouco a mão no bolso?

Cutucada 2
Também achei esquisito o prefeito João Paulo Kleinübing atuando como garoto propaganda do tal shopping do automóvel, construído no Trevo da Mafisa. Não que seja ilegal ou imoral, mas é esquisito. Trata-se de um investimento privado, com orçamento semelhante a muitos outros feitos na cidade recentemente. Acredito que o Giassi, por exemplo, gastou muito mais em seu supermercado, inaugurado no ano passado. Não lembro se o prefeito, naquela ocasião, também foi para frente das câmeras.

O peso do Ronaldo

Neste texto, o pessoal do G1 foi pra lá de capcioso, hein: "Apesar da enorme diferença de peso entre as competições, o craque exalta o lance que marcou o jogo do último domingo".
Na matéria, o portal mostra o atacante Ronaldo comparando os gols que marcou na final da Copa do Mundo, em 2002, com aquele, por cobertura, que fez no último domingo, pelo Corinthians, durante a final do Campeonato Paulista. Eles se referem à diferença de peso do Ronaldo ou das competições?? Ficou no mínimo engraçado, rsrsrs

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Marçal X honra do Legislativo


A Câmara de Vereadores de Blumenau não pode tolerar, de jeito algum, a conduta condenável do vereador João José Marçal (PP), que tentou colocar sua autoridade a serviço de irregularidades. Em uma gravação, cuja origem ninguém sabe ao certo, o parlamentar ameaça atacar o Seterb, em seus discursos na tribuna, caso a apreensão de um veículo de transporte escolar, em situação irregular, não seja revista por agentes de trânsito. Também diz que poderia prejudicar a autarquia na votação de um requerimento. No áudio da gravação, levada ao ar pela RIC Record no Jornal do Meio Dia desta segunda-feira, Marçal insinua ainda que, por ter participado da eleição do prefeito João Paulo Kleinübing (DEM), pedindo votos para o candidato democrata, mereceria tratamento diferenciado.
Pois eu acho que Marçal, que é membro da mesa Diretora da Câmara, deve ser caçado. A imagem da Câmara ficará arranhada se esta não for a saída encontrada. Um vereador tem a obrigação de zelar pela lei, já que, por definição, é um legislador. E os legisladores, eleitos pelo povo, chegam ao Parlamento com a missão de criar leis que melhorem a vida da população. Então pergunto: como confiar em um parlamentar que reivindica o descumprimento da lei? Se ele acha que leis devem ser descumpridas, com que responsabilidade criará outras para melhorar nossa vida?!
Não tenho nada contra o vereador na esfera pessoal, pode até ser boa gente, não sei, na verdade desconheço sua conduta. Como legislador, porém, tenho ressalvas. Quando disse que morreria de fome se sua mulher não trabalhasse - reclamando do salário de vereador na legislatura passada - Marçal já passou da conta. O eleitor, no entanto, considerou que ele merecia ser reeleito. O episódio em que ele tenta burlar os limites da lei, contudo, mostra que ele não está preparado para um papel tão importante como o de um parlamentar. Quem ganha o direito de sentar-se sobre uma cadeira da Câmara de Vereadores deve ter conduta inquestionável, acima de qualquer suspeita. Marçal, pelo jeito, não se enquadra neste perfil. Quero ver se os demais parlamentares se encaixam, dando o exemplo e caçando o progressista. Se não o fizerem, eu, pelo menos, ficarei de orelha em pé. A honra do Legislativo está em jogo.

sábado, 25 de abril de 2009

Parabéns, Furb!

Fiquei danado da vida comigo mesmo neste fim de semana. Estou embirrado até agora. Convidado para o almoço de comemoração dos 45 anos da Universidade Regional de Blumenau (Furb), cheguei na portaria do Tabajara Tênis Clube, sábado, às 11h50 min. Todo arrumado, apresentei-me ao porteiro de peito estufado, feliz da vida com meu primeiro convite para um evento já como blogueiro. Sequer acreditava que fosse verdade. Lacônico, porém, o jovem senhor me abordou:
- O amigo tem certeza que é aqui?
Certeza do lugar eu tinha. Só não tinha do dia certo, constatei então, pois o almoço fora na sexta-feira. Bem feito, quem mandou deixar de lado aquela última checagem que sempre evita vacilos como este!
Mas tudo bem, importante mesmo é o aniversário da Furb. Indo ou não indo ao evento da sexta, o teor da minha análise será o mesmo: a relevância da maior instituição de ensino do Vale do Itajaí para o desenvolvimento socioeconômico da região.
Além de produzir conhecimento e tecnologia, a universidade blumenauense gera riqueza, emprego e renda para os blumenauenses. Direta e indiretamente. Basta percorrer o entorno da Furb para entender o significado dela para a cidade. Ali estão os três maiores supermercados do município, uma das maiores concentrações de edifícios, o corredor de serviços dos mais frequentados (na rua Antônio da Veiga) e o mais intenso vai-e-vem de pessoas e automóveis. De acordo com o urbanista Arlon Tonolli, o bairro Victor Konder já tem índices de adensamento urbano comparáveis aos paulistas.
Por isso a Furb é sinonimo de desenvolvimento, não há dúvidas. Até mesmo porque já atrai também estudantes de outros estados brasileiros. Crânios e cérebros que aportam por aqui para miscigenar e enriquecer nossa massa intelectual e cultural. Muitos ficam por aqui, deixando nossa cidade cada vez mais cosmopolita.
Meu único receio está no processo de federalização. A proposta, a princípio, fortalece a instituição, isso é inegável. Tenho medo apenas dos reflexos da mudança para a microrregião. Tal como é hoje, a Furb tem sua vocação voltada predominantemente para o desenvolvimento regional. Seus projetos de extensão, iniciativas e parcerias, estão umbilicalmente ligados à sociedade local. O Sistema de Informações Gerenciais e de Apoio à Decisão (Sigad), por exemplo, fornece números e estatísticas locais indispensáveis para o planejamento das empresas e instituições que querem investir na cidade e na região. Continuaria existindo caso a Furb fosse federalizada?
Estudei na Universidade Federal de Santa Catarina por longos 6,5 anos. Vi como a maioria dos estudantes vem de fora, forma-se e volta para a terra Natal em busca de oportunidade. Gente graúda, oriunda de cursinhos matadores como Anglo, Objetivo e outros que preparam o estudante para entrar em vestibulares como o da Usp, Unicamp, Ita e outros de enorme dificuldade. Os japas paulistas, se houver a federalização, vão tirar muita vaga de manezinhos do Vale, não tenham dúvida. Esse é meu receio, que a gente daqui fique sem oportunidade.
Bom, mas como não sou especialista, seria leviano da minha parte aprofundar muito esta discussão. Quem entende do assunto é quem deve fazê-lo, com muita responsabilidade e zelo, para que não nos arrependamos no futuro.
Por ora, prefiro dizer apenas: parabéns Furb, muitos anos de vida!!!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A coisa tá feia

Aproveitei o feriadão e fui à Serra Catarinense, onde estão algumas das mais agradáveis paragens de Santa Catarina. Meti-me no mato sobre o qual já falei aqui - leia a nota Até quando - e dei-me quatro dias de ócio como presente. Mas um ócio produtivo, pois pude ler bastante e fazer mais algumas conjecturas que pretendo dividir aqui com vocês. Uma delas partiu de uma frase do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), publicada pela revista Veja na edicão de 17 de dezembro do ano passado. Nas páginas amarelas, o peemedebista declara o seguinte:
- Mandamos para Santa Catarina comida, colchões, barracas... reclamam dinheiro para a reconstrução do Estado, mas preciso dos documentos. Não mando verba por telefone nem faço festa da galinha gorda com dinheiro público.
Ele respondia a uma pergunta sobre o atraso na liberação dos recursos para a reconstrução do Estado, atingido em novembro pelo maior desastre ambiental da história catarinense. Disse ainda que "em momentos como esse (a tragédia), sempre aparecem oportunistas querendo se projetar em cima da desgraça alheia".
A quem ele se referia? Ao prefeito João Paulo Kleinübing (DEM), que hoje tem um colega de partido de Geddel como vice? Ou ao governador Luiz Henrique da Silveira, que também divide a casa peemedebista com o ministro?
De qualquer forma, ele ofendeu a todos nós com tais afirmações. É bom lembrar ao ministro que não precisamos de esmola - comida, colchões, barracas -, pois somos um estado trabalhador e altamente produtivo. O que queremos são os recursos a que temos direito como um dos mais sólidos contribuintes da nação. Queremos de volta nossa honra, queremos reconstruir nossa vida para seguir adiante enriquecendo o país, como sempre fizemos.
E agora, porque os recursos não chegam? Documentos já foram entregues a quilo - pelo menos é o que garantem nossos representantes. Quando veremos nossa Via Expressa reconstruída? Colocam ali cada vez mais placas sinalizando as áreas atingidas - contei 26 em uma extensão de 500 metros -, o que me leva a acreditar que obra mesmo ainda deve demorar.
É, como diria o filósofo contemporâneo, a coisa tá feia! Eu, se fosse o governador Luiz Henrique, chegava na direção nacional do partido e avisava: pessoal, o Geddelzão tá minando a confiança do povo na gente, não me deixem só!! Bom, mas se nem o presidente Lula dá jeito no Geddel, que só quer fazer obra na Bahia, imagina o Michel Temmer? A coisa tá mesmo feia...